Iva's place

Aqui, fala-se de amor...esse sentimento louco que mexe cá dentro e nos faz vibrar de emoção.

Seja curto ou duradouro, dele todos queremos um pouco ou não pule cá dentro o coração!

Bem-vindos!

Iva*

domingo, 6 de junho de 2010

Acreditamos em... REENCARNAÇÃO?

span style="font-size: x-large;"> «LEMBRA-TE DE MIM»


Podemos viver uma vida, podemos viver muitas mais, mas será que não há memórias que permanecem?









Até que ponto o que de nós sai e julgamos ser ficção, será mesmo fictício?




Boa questão! Ouvia há momentos a música do Sting «A thousand years» e fez-se um clic. Ele parece estar a falar em reencarnação, senão, vejamos a letra aqui.

Leiam, se quiserem, com atenção a história que se segue...

 Dei-lhe o nome de "Lembra-te de mim"

 

Prólogo




Castanho profundo no meu coração






Acordo sobressaltada. Milhares de gotas minúsculas de suor afloraram-me à pele: tenho tanto calor! Ainda não é totalmente a época do frio, mas talvez o edredão de aquecimento seja demais.


“Que horas são? Já estarei atrasada para o trabalho?”


3.59, indica o vidro do telemóvel novo, aquele telemóvel 24 horas sempre ligado, que ultimamente não toca muito. Sei que voltei a sonhar o mesmo.


“Maldito livro sobre as vidas passadas! Devia saber que ao fazer de novo como dizem as instruções, acabaria por abrir uma porta para outras vidas… ou para a minha loucura! Se já adivinho previamente tantas coisas que vão acontecer, se aprendo as pessoas de cor no momento em que as vejo, por que motivo ainda fui fazer como diz no livro para conhecer as minhas vidas passadas?! Achei que eram tretas! Morri de novo afogada! E os olhos castanhos profundos, lindos? De novo? O que significam?! Por que é que nesta vida me apaixono sempre pela intensidade de uns olhos castanhos profundos?”


Apeteceu-me gritar a plenos pulmões o “porquê” de tal facto. Era verdade, pois. Isso já eu sabia. Achava os azuis extraordinariamente bonitos, mas era apenas isso. Eram sempre os castanhos, aquele tom de castanho especial, profundo, com negras pestanas a rodearem-nos, que acabavam por me deitar por terra e fazer o meu coração bater a mil, os joelhos tremerem, descoordenar pernas e braços e dizer coisas tão estúpidas e despropositadas que, dir-se-ia, era uma autêntica totó.




No dia seguinte falava com o P* no Messenger, uma das mais recentes novidades da minha feliz civilização e foi então que me lembrei.


- Sabes, acho que já sei por que não sei nadar. É que eu… vais achar que sou maluca, mas talvez também já aches isso, portanto, aqui vai… É que eu já morri afogada. Muitas vezes. E esta noite sonhei com isto de novo. Mas o sonho era diferente. Também acho que já percebi por que gosto tanto de neve.


- Conta-me


- Oh, vais achar mesmo que sou maluca. Eu já acho! Mas foi tudo tão real!!! Acho que se fosse investigar iria descobrir que é mesmo assim que morrem as pessoas afogadas em águas frias. É como se milhares de agulhas nos trespassassem o corpo no primeiro embate, depois parece que estamos repletos de chamas e tudo arde até ficarmos dormentes, sem sentir nada. Sou mesmo maluca!!! Desculpa lá isto!


- Não és nada. Conta lá. Fiquei curioso.


- Ok, mas depois não digas que não te avisei… É desta que vais achar que sou mesmo maluca e nunca mais vais falar comigo…








 


I




“Era dia nacional. 17 de Maio. O dia estava extraordinariamente solarengo, mas o Inverno glacial ainda estava para durar. Era bastante normal. Estávamos muito a norte e ali era perfeitamente natural cair neve durante grande parte do ano.


Sempre adorei neve, mas este dia estava particularmente bonito, com as goteiras da minha casa cheias de estalactites cristalinas, pendentes, do telhado, ameaçadoramente prestes a cair a qualquer momento. Mas isso não me assustava. De facto, nada relacionado com a neve me assustaria alguma vez. Considerava-a sempre minha aliada. Aliás, terei de dizer “nossa aliada”. Sorri, corando imenso. Corava sempre quando pensava nele. A minha mãe dizia que eu era ainda muito nova, uma adolescente que via o mundo cor-de-rosa, bem, branco pacífico e romântico, altero eu. Porém, ele pensava exactamente como eu, a sua Princesa do Gelo. Sorri de novo. O meu Príncipe das Montanhas!!!


Tinha a certeza que nunca nada nos iria separar. Ele assim prometera. E no fim-de-semana anterior tínhamos feito um juramento de neve. Aquelas coisas típicas de miúdos apaixonados! Picáramos os nossos dedos e depois, bem unidos, enterráramo-los na neve, sentindo um misto de frio e calor. Agora que penso nisso, não sei se era o frio da neve a queimar a picadela, se era o amor que sentia por ele a agitar minúsculas corujas albinas na minha barriga, com tanto entusiasmo perante o juramento.


Subitamente, até me pareceu que a neve se tornava mais luminosa e que todos os cristais minúsculos que caíram no início da noite anterior se tornavam mais luminosos, como se fossem confidentes do sentimento tão forte que nos unia desde crianças. Não havia dúvidas. Desde que nos conhecêramos por gente que um seguia o outro por todo o lado, sendo ele o altruísta e corajoso e eu a frágil princesa desastrada, sempre a necessitar de ser salva. Pois, é que, para ser muito sincera, eu tinha uma propensão enorme a tropeçar nas rochas escondidas, a cair nos buracos cheios de neve, a embater de frente contra a rama congelada das árvores sempre que esquiávamos juntos, entre outras listagens de pequenos incidentes.


Ele estava sempre lá, não direi bem a salvar-me, mas a garantir-me sempre umas boas gargalhadas. Eu amuava sempre que tropeçava ou caía e ele ria desalmadamente, todavia, rapidamente lhe achava piada, atirando-lhe bolas de neve bem grandes, com toda a força, juntando-me a ele em súbitas risadas que ele sempre comparava a quedas de água dos riachos adormecidos no início do degelo.


- Pareces uma fada! Não, uma princesa. És tão bonita como os primeiros nevões que põem tudo a cintilar e cujo frio nos faz sentir sempre mais vivos, pelas nuvens que exalamos ao respirar. Adoro-te!


Fora assim a primeira declaração dele. Acho que tínhamos perto de uns três anos, não mais. Ele disse isto e ofereceu-me uma flor azul celeste, como os icebergues que víramos no passeio de domingo, havia alguns meses.


- Como os teus olhos. – dissera ele.


- Prefiro o castanho dos teus! Lembra-me o renascer da terra após cada estação fria. Lembra-me que a vida volta sempre a renascer.


- Mas eu gosto mais dos teus. És uma princesa-fada de cabelos negros e olhos azuis. Vou gostar sempre de ti! – e os seus pequeninos olhos de criança, muito castanhos, muito intensos, tornaram-se ainda mais brilhantes. Até mesmo as suas pestanas negras pareceram de súbito diferentes, mais bonitas. E achei-o ainda mais belo pela forma como me fez sentir tão especial. Tanto e da mesma forma como eu o via a ele.


- Princesa! – insistiu ele esticando-me a pequena e delicada flor azul. Não sabia onde a arranjara ele no meio de tanta neve, mas ele era sempre capaz das proezas mais incríveis para me impressionar. Aprenderia isso nos anos que se seguiram. Aquela flor azul…!







 


E eu senti-me mulher pela primeira vez. Senti-me realmente uma princesa de contos de fadas. Aquilo nada tinha a ver com sonhos de criança, eu bem o sabia! E soube, no íntimo do meu coração, alma e ser, ainda que em tão tenra idade, que já havíamos feito juras como aquelas antes. Mas já me estou a desviar daquilo que queria revelar. Sabem, o amor eterno é mesmo assim. Simplesmente amamos, achamos o outro belo sem saber porquê e, depois, perdemo-nos na nossa objectividade simplesmente por sentirmos dentro de nós uma grande paz quando finalmente percebemos a origem de todo aquele sentimento. Acho que vão gostar do que vos vou contar. Espero que não chorem. Não há finais tristes ou infelizes e esta história ainda não acabou.


Bem, como vos ia contar…


 


Era dia nacional. 17 de Maio. O dia estava extraordinariamente solarengo, mas o Inverno glacial ainda estava para durar. Tudo à nossa volta era belo e branco. E o sol fazia brilhar tudo, sendo os cristais de gelo portadores de milhares de pequenos micro-cosmos, adocicados pela magia de pequenos arco-íris que eu idolatrava desde criança. Era o dia perfeito.


Como sempre, ele veio buscar-me a casa, mas nesse dia não vinha sozinho. O restante grupo já estava com ele, eu era a última. Corri para ele sem esconder o meu entusiasmo, atirando-me nos seus braços, com o vermelho das minhas bochechas a destacar-se no meu rosto pálido com as duas safiras, que me serviam de olhos, a brilharem sempre de forma mais intensa a cada novo reencontro. Timidamente dei-lhe um beijo na cara, afinal, a minha mãe estava a ver, espreitando pela janela, ainda que eu não conseguisse ver sequer uma pontinha da cortina afastada. Sabia que ela não levava a sério este nosso namoro. Não a censurava. Ainda éramos muito novos, no entanto, eu sabia que seríamos sempre eu e ele, que ninguém compreenderia este nosso laço, esta ligação tão forte que eu insistia com ele “vir de outras vidas”.


Íamos para o lago, contudo, desta vez não seria para patinar, com muita pena minha. Era algo que fazia realmente bem e adorava a forma como ele me olhava, sentado no tronco velho, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos no queixo, destacando-se apenas o seu olhar intenso por baixo dos seus gorros, que alternavam entre o vermelho, azul-escuro e o verde. Eu podia até estar a patinar, fazendo incontáveis piões como adorava, na extremidade oposta do lago, mas conseguia ver de perto o seu olhar profundo e amistoso, admirando-me como sempre fazia aos domingos de manhã.


Naquela manhã as três raparigas muito loiras, ele e o seu outro amigo eram a minha companhia. Lá chegados, entreteram-se com batalhas de bolas de neve. Riam sem parar e eu ria com eles, mas, devido à minha natureza curiosa, não fiquei muito tempo naquele jogo. Comecei a caminhar, avançando mais para o centro do lago congelado e olhando em volta. Era uma sortuda por me ser permitido viver num sítio tão lindo. Não sei como havia tanta gente que detestava a neve. Podia ser tão mágica, tão linda! E aquele frio cortante de manhã fazia-me sempre dar graças por estar viva, ter a mãe e os amigos que tinha. E, claro, tê-lo a ele. Sempre!




(...)




 


Devo ter-me distraído a andar, pois ouvia-os mais longe a cada passo que dava. Olhei para trás, com o sol a incidir nas árvores despidas por trás deles e sorri. Os seus gorros multicoloridos destacavam-se muito bem, qual sombras recortadas, naquela paisagem tão branca e luminosa. Que doidos. Mas estavam tão felizes! Nem ele dera pela minha ausência. Ria tão alto que o meu coração ainda se sentiu mais alegre e confiante. Ele tinha sempre um sorriso tão aberto, tão fácil, tão típico e inocente como o de uma criança. Jamais poderia esquecer aquele sorriso!


Olhei para o chão enquanto caminhava, numa zona do lago onde o gelo se tornava mais fino e transparente. Que segredos esconderia? Caminhei a passo mais acelerado, sempre olhando para baixo, pois parecia-me conseguir ver uma sombra de algo deslocando-se sob o gelo. Provavelmente uma foca. Se bem que, como sabia, ali não deveria haver nenhum buraco por onde pudesse emergir. Coitada! Será que se tinha perdido?! Avancei, pensando já em ajudá-la, quando confirmei tratar-se mesmo de uma foca. Dava voltas e reviravoltas sob a superfície gelada bem abaixo dos meus pés. Quase podia tocá-la. Talvez se a conduzisse para algum sítio onde o gelo fosse mais fino, a pudesse ajudar a sair para respirar. Pobrezinha! Era tão pequenina e frágil! Decerto se tinha perdido da mãe e agora se via em apuros.


Corri para a extremidade mais próxima, a ver os meus amigos, agora qual pontinhos luminosos de uns rabiscos de criança, ao longe. Já não os ouvia. Aliás, ouvia-o só a ele, mas isso acontecia-nos com frequência, mesmo quando estávamos mais longe um do outro. Agarrei num comprido e franzino ramo e corri para a zona que me pareceu mais fraca em toda a superfície do lago. A pequena foca seguiu-me ansiosa, de olhos pedinchantes, quase a sorrir por ver que estava determinada a ajudá-la. Escolhi e marquei o local onde ia partir o gelo. Depois, afastei-me, pronta para embater no gelo com toda a força! Como não conseguia ter muita sensibilidade e o galho me caía das mãos com facilidade, descalcei a minha luva direita, atirando-a para longe, mal a agarrei do chão. Nesse momento, o meu cachecol voou pelos ares, levado por uma súbita e glacial brisa que me despenteara o cabelo que surgia, muito solto e comprido, por baixo do gorro azul, caindo-me pelas costas às madeixas, cada uma mais escura que a outra.


Preparei-me para o embate, mas, como estava muito afastada, o ramo apenas bateu na diagonal e escorregou-me das mãos, estatelando-se a meio metro do sítio onde me encontrava.


“Pauzinho estúpido e insuportável!” – pensei, agarrando-o com força com a minha mão nua enquanto o repreendia e ameaçava mentalmente. “Se eu o chamo, vais ver o que te acontece”.


Sem pensar, atirei um forte golpe para o chão mesmo a meus pés. Infelizmente, apercebi-me demasiado tarde do meu erro. A foca bebé afastou-se, temerosa e, numa fracção de segundos, que a mim me pareceu durar uns longos minutos, o gelo emitiu um craque desajeitado, resmungou e quebrou-se, puxando-me com os pedaços destruídos do seu espelho gélido, para as águas profundas do lago.

    

Sempre fora uma boa nadadora, mas o embate na água, muitos graus abaixo de zero, não poderia ter sido nunca preparado para um corpo como o meu. Milhões de agulhas invisíveis vieram ao meu encontro, furando-me a roupa com uma rapidez tal que nem sequer consegui emitir um grito. O meu gorro de lã azul-escuro com uma tosca bola na ponta foi a primeira coisa a cair para o azul intenso das águas do lago. Enquanto o observava a cair, reparei que o impacte do frio me fez contrair o diafragma e parar de respirar. Sentia mesmo o coração a bater descompassado nos meus ouvidos, após uma súbita pausa, para mim demasiado longa, após o choque inicial.






(...)







  


Ele prometia, com todas as suas forças, que seria sempre o meu guardião e eu perguntava sempre o que iria acontecer se um de nós morresse primeiro. Ele dizia que eu era tola, que nada nos iria separar e que teríamos sempre a neve como aliada. Eu perguntava com alguma frequência, quebrando os nossos silêncios apaixonados, como sabia ele que nos iríamos lembrar dos nossos juramentos, se morrêssemos e nascêssemos outra vez. A resposta era sempre a mesma: que eu era tola e que teríamos sempre a neve como aliada. E depois de me dar um longo beijo na testa e de me segurar ternamente pela cintura ele acalmava as minhas conversas filosóficas e dúvidas existenciais com um “Princesa, nunca nos iremos esquecer um do outro. Ninguém o vai permitir!”






(...)




 


Senti-me cair, mas não fiz ruído algum. Andava tão feliz! Nem me apercebi do que me estava a acontecer! Parecia um sonho! Demasiado surreal para ser verdade. Como poderia eu estar a cair e ainda apreciar a beleza que via em meu redor, na água gélida, a vários metros da superfície?


Achei sempre que não iria passar dali. Sabia que ele me viria salvar. Ele tinha jurado! Mas ninguém me viu cair!!! Ele foi o primeiro a dar pela minha falta e sentiu que algo estava mal.






(...)




 


O peso do casaco ensopado transformou-se num abraço mortal, demasiado doloroso e gélido, e sentia cada vez mais pressão no meu peito... Ouvia o barulho da água agitada enquanto tentava em vão nadar em direcção à luz solar. Consegui subir um pouco, devido à minha força braçal de nadadora e estava-lhe agora mais grata por me ter obrigado a aprender e a treinar furiosamente nos verões anteriores, ainda que a água fria me forçasse mais a sair da água do que a tentar nadar. Fui bem sucedida por momentos, mas… não era suficientemente forte.


Foi nesse momento em que estava a conseguir realizar os meus intentos que vi a foquinha. Era assim esbranquiçada com manchas cinzentas. Não, não eram bem manchas. Eram pintas, acho eu. Ela percebeu que eu ia morrer. Tinha um olhar lindo e profundo e lamentou por mim, mas não me podia ajudar. Julguei ter ouvido a foca a dizer que tinha pena, que ainda era cedo demais para mim, porém, havia algo que tinha mudado e era o meu fim. Perdi nesse momento o meu sentido de audição e comecei a sentir o meu corpo de forma estranha. Talvez já nem o sentisse. Já não tenho a certeza.


A minha mãe sempre disse que há uma lenda na Noruega que fala nos espíritos do tempo. Não são directamente maus, mas andam solitários e infelizes e podem levar à perdição pessoas boas, apenas por quererem companhia para a eternidade. Ela sempre me avisou, sublinhando que todas as lendas tinham o seu quê de verdade, e dizia sempre para nunca me afastar demasiado nem me deixar cativar pelos animais da florestas ou fascinar pela beleza estonteante das plantas e árvores, em especial no Inverno. “É tudo ilusório, minha querida, e é nessa altura que os espíritos do tempo podem sair sem serem vistos. E, se forem, ninguém os temerá pois apenas parecerão ao olhar mortal, pobres criaturas sem rumo, ali à espera de serem ajudadas”.

  

(...)





 


Via nos olhos daquela criaturinha frágil muito mais emoções do que seria possível num animal. Via emoções humanas. Via a minha vida passar-lhe pelos olhos de um ar inocente. Via naqueles olhos os olhos dele e, finalmente, vi-me a mim, primeiro vermelha do impacte, depois roxa e, ao fim de apenas um minuto na água gélida, já azulada perdendo a luta pela vida a favor do tempo…


Deixei de ouvir. Sentia uma pressão intensa nos ouvidos e queria abrir a boca e respirar ar, mas não conseguia. O oxigénio de que tanto precisava estava-me, naquele exacto momento, totalmente interdito. Quando finalmente não aguentei mais e abri a boca, gritando desesperada (talvez por ele), entrou-me água nos pulmões e, nesse momento, também as minhas entranhas ficaram como a neve que eu tanto apreciava: paradas no tempo, imortais, bem preservadas qual clique fotográfico e imóveis como só Deus sabe.


Sentia o coração nos ouvidos, o peito prestes a rebentar... Uma dor de cabeça insuportável, com muita pressão, no que os hindus chamam o terceiro olho, e um silêncio parado que me chamava cada vez mais, acolhendo-me nos seus braços mais calorosamente do que eu poderia desejar. Era um silêncio não partilhado. O meu primeiro. E eu comecei a deixar-me ir. Estava cansada e, afinal, só queria descansar um pouco para poder, posteriormente, lutar com todas as forças pela minha vida. Queria fechar os olhos, mas estavam estáticos, não conseguia perceber porquê. Tudo estava parado. Depois, subitamente, alguém me puxava e gritava de forma ansiosa por mim, dentro de água, como se fosse um golfinho.

Arrastaram-me... Ele não estava bem também. Atirara-se meio despido para o buraco sem pensar duas vezes, sem sequer ter confirmado que eu tinha mesmo caído. Os outros não queriam e tentaram agarrá-lo, desesperados pelos seus gritos e angústia ao chamar por mim, enquanto por dentro o seu coração chorava por já ter adivinhado tudo.


   (...)



 


Não sei como, mas arranjou uma força descomunal para me trazer de volta à superfície. Senti o meu corpo a ser arrastado nesse momento. Sentia uma dor intensa. Quando caí à água gelada fui ferida mortalmente. Doía tanto! Depois senti um fogo violento que me queimava e punha dormente... e a pressão no peito, os ouvidos a apitar...! Mas, ao mesmo tempo, o azul lindo, os olhos da foquinha bebé… Tudo tão maravilhoso!!!


Segundos antes de perder a consciência, senti que me agarravam com força, num abraço quente, apesar da temperatura contrária das águas do lago, e vi-o. Se o gelo não me tivesse já paralisado os músculos do corpo todo sei que lhe teria sorrido nesse momento. Era ele que me vinha salvar! Tão lindo, mas com um ar tão desesperado.


“Vieste!” – sorri, exclamando-o apenas em pensamento. Senti-me feliz. Serena. Em paz. Mas este era um pensamento do qual ele nunca iria tomar conhecimento.


Apercebi-me que já estava desmaiada pelo olhar dele. Vi-me nos seus olhos. Ainda lhe parecia bonita. Senti isso, mas o que ele viu no momento em que me voltou para ele, antes de encetar a batalha de nos levar de volta ao mundo superior, era um ser cadavérico, eram uns olhos cor de safira esbugalhados, lábios azuis, olhos a condizer, também verdadeiramente azuis, mas mortiços, vidrados... Acho que eu parecia uma estátua de olhos muito abertos e livres de quaisquer sentimentos mortais e o cabelo alvoraçado, espalhado na água em sentido vertical, muito negro em contraste com o azul magnífico da água.






(...)




 


Lembro-me vagamente de estar deitada numa cama, ainda molhada, mas praticamente nua, toda tapada, num quarto muito quente e abafado, coberta com uma colcha ou manta acinzentada. Acho que me tentavam por compressas de água quente na cara para me aquecerem e/ou reanimarem. Mas eu já não tinha frio. Não tinha sequer dores.

  


 (...)




 


Tinha agora consciência de que via o meu corpo de cima para baixo, como se pairasse no ar acima dele, alheia a muitas coisas, mas atenta a todos os detalhes. Não sentia cheiros e acho que não ouvia, mas sabia tudo o que eles sentiam e pensavam, quase como se eu fosse um ser superior. Olhei-me e vi-me, por fim, tal como estava após a queda no lago: um corpo pequeno, magrinho, muito frágil e gelado, de tonalidade azul acinzentada. Já não sentia frio ou dores. Senti-me a ser puxada ainda mais para cima. Não queria ir! Ela estava a sofrer muito e eu não queria ir por esse motivo.


Senti-me agarrar por uns braços de luz, pelas costas, num caloroso e quente abraço. Diziam-me para ir, que tinha havido uma alteração de planos, mas que ia ficar tudo bem. Eu não queria ir, não queria que ela sofresse e tinha medo que ele perdesse o brilho dele, aquele sorriso tão branco, tão aberto, e o brilho nos olhos negros que sempre me fez acreditar que tudo era possível.


Sei que falávamos, eu e o tal ser de luz, que eu não via porque me abraçava pelas costas... talvez não o visse por insistir em observar o que se passava junto ao meu corpo, mas disso não podia ter certeza. Falávamos pela mente. Sei que perguntei por ela: ele disse que ficaria bem. Tenho também consciência que perguntei por ele e se o voltaria a ver. Foi-me dito que sim, voltaria a ver os dois, mas, desta vez, iria demorar mais. Seriam tempos mais difíceis mas quando fosse a hora eu ia saber de tudo.


Tinha medo. Eu sabia que ia apagar as memórias daquela vida. Ele disse-me que há aquelas que nunca se perdem e que a isso se chama um dom. Acrescentou ainda que apesar de eu nada perceber, isso iria sempre comigo. Disse-me para não ter medo ou chorar, contudo, não me soube explicar por que morri. Limitou-se a afirmar que tinha sido cedo demais, mas necessário, que afinal ainda não era aquela a vida em que eu e ele deveríamos ficar juntos. Sei que voltei a perguntar por ela: vai ter mais filhos. Nunca te esquecerá, todavia vai ser feliz e mais forte. Nunca te vai esquecer, tornou a garantir-me.


Eu tinha a certeza que os laços com ela nunca me abandonariam, mas não tinha assim tanta certeza quanto a ele. Confessei ao ser de luz, que agora me confortava num abraço quente, que quebrei a promessa. Respondeu-me calma e sabiamente que ele, o rapaz, me perdoaria, mas que desta vez demoraria mais tempo até nos reencontrarmos. Não o iria reconhecer logo, porém devia procurar o que mais gostava nele.


Perguntei se seriam os olhos castanhos negros, ele riu-se. E depois senti uma calma e uma paz imensa, como não me lembro de ter sentido antes. Sabia, no entanto, que já a havia sentido. Foi isso que aquele ser também me transmitiu sem sequer necessidade de usar palavras. O seu abraço apertado dizia-me tudo o que eu precisava e queria saber. Ouvia as respostas antes mesmo de formular as questões na minha mente. Deste modo, já não tinha pena de abandonar o meu corpo. Parecia apenas um embrulho vazio, mesmo assim lembro-me de olhar e pensar que devia mesmo ter sido linda, que mesmo roxa ali deitada inerte naquela cama parecia mesmo muito bonita. E ele disse que era, que o exterior é fruto do que geramos no nosso interior mas que não iria ser sempre assim. Mais tarde haveria formas de esconder a maldade interior e ser-se muito belo fisicamente. Avisou-me para desconfiar sempre dos belos, para não confiar neles. Pediu-me para procurar pelos olhos.

  

   (...)










 


Epílogo





Agora acordo do meu sonho, com milhares de gotas de suor escorrendo-me pelo corpo magro, o cabelo comprido e escuro completamente encharcado ...



(...)




 


Reconheço agora também a minha preferência pelos olhos. Castanhos profundos como os teus. No entanto, houve muitas alturas em que me enganei nos olhos. Eram parecidos, sorriso também, mas, sempre no último momento, conseguia perceber que não eras tu, que ainda não era aquele que estava comigo a pessoa por quem sempre esperei sem saber.




(...)


 


Neste mundo moderno, adormeço, indecisa, no meu quarto, onde finalmente admiti um espelho, esticando-me desamparada sobre a grande cama, entre as minhas duas almofadas. Lanço um olhar ao visor do telemóvel, desculpando-me com a confirmação das horas, mas, no fundo, sei que era apenas uma forma de me lembrar de ti, agora novamente silencioso.


Apago a luz e desejo ardentemente ter mais memórias daquele nosso mundo que, de facto, não sei bem identificar como Noruega ou Rússia (que tanto me fascina) ou como outro qualquer país gelado.


Peço agora a Deus, em quem nesta vida acredito firmemente, que me permita regressar àquele nosso mundo, numa vida em que ainda que por um curto período de tempo fomos felizes, juntos os dois. A única vida até agora. Peço-lhe que me deixe regressar e reviver mais momentos, em que trocámos promessas de amizade e amor, dias gelados em que foste o meu companheiro de jogos de crianças, em que me aturaste a rebeldia digna das pessoas curiosas como eu.


Lamento e tenho imensas saudades dos dias em que me deixavas deitar a cabeça no teu colo, quando me abria e despedaçava em mil lágrimas por não conhecer o meu pai e tu, no silêncio de um gesto, me afagavas o cabelo, com as tuas mãos sempre tão quentes (quando as minhas eram tão sempre tão geladas), me beijavas suavemente a face, que ficava ainda mais rosada perante o teu toque, e me sussurravas docemente ao ouvido, com a tua rouca voz intermédia de adolescente quase adulto:


- Chiuuuu, princesa! Não tenhas medo! O teu príncipe chegou. Estou aqui agora! Não chores mais… Lembra-te de mim!




Adormeço agora, nesta vida, longe de ti, com a tua imagem na memória destes dias, mas também dos das outras vidas, em especial daquela em que não consegui manter a promessa e repito o silencioso pedido que te fiz quando parti, o mesmo que sempre me fazias quando o sol desaparecia dos meus lábios e os meus olhos azuis pareciam um céu cinzento e carregado, prestes a desabar num forte nevão:


Lembra-te de mim. Por favor! Reconhece-me! Lembra-te…


Lembra-te de mim!

































  

Iva* a 5 de Outubro de 2009








Existirão coincidências? Ou existe algo mais além de uma vida? Algo que nos faz transportar marcas connosco e que nem o tempo apaga de nós, ainda que o corpo mude, a memória se vá e as nosss posições sejam diferentes?!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A dança mais sexy do universo...


... TANGO ARGENTINO, claro! Só podia!


E um dia ainda vou aprender a dançar como deve ser... com rosa vermelha nos dentes e tudo.!
Ah, pois! Está decidido e a encomenda feita! ahah! Hoje tomam-se decisões!


Iva*

Devia ser tudo tão simples...


... quanto dizer "Love me or leave me". É isso mesmo "opá, ou me amas ou me largas!". Melhor ainda: "Ou me amas ou me desamparas a loja"!. ahahaha

Aposto que há por aí muita gente a concordar comigo.

E depois é por ser assim directa que dizem que tenho um feitiozinho de...! Mas não suporto cá joguinhos ou casa-descasa que nunca mais! Ou bem que é, ou bem que não é. FULL STOP!

Iva*

Às vezes o passado insiste...



E no meio de tanto documento damos com um, que já nem recordávamos e nem entendemos bem porque vem agora parar-nos à frente, como se fosse uma qualquer espécie de tortura chinesa...


 
- é de menina séria

- amiga



- es uma mulher fantastica! não sei pq não tens ninguem!

- acho que me vou candidatar! 

- espero que não fujas!


E depois, pronto, achamos melhor ir dar uma voltinha lá fora, só porque até mesmo um documento aberto por engano e estando ao acaso numa pasta em que não devia, nos obriga a pensar quando, de facto,não queremos! :(


Iva*


Move on!


Às vezes é difícil seguir em frente e chamar ao passado água que já correu debaixo da ponte, é difícil tomar decisões, é difícil seguir sozinho quando o que queríamos mais que tudo é estarmos acompanhados. No entanto, nada acontece na nossa vida por acaso e mesmo as pessoas que passaram e nos magoaram têm algo para nos ensinar.

A dificuldade? Bem, não creio que possamos apontar uma só! Por um lado há que aprender a perdoar e seguir em frente. Por outro, difícil é reaprender a amar e confiarmos o suficiente para nos darmos de novo...

Mas nada é fácil e também, se assim o fosse, não seria a mesma coisa, certo?
Há, sobretudo que aprender a nunca nos perdermos, nunca perdermos os nossos sonhos, valores e ideais, pois, no amanhecer de um novo dia, por pouco que tenhamos dormido sobre os assuntos do passado, significativo será abrir a janela de par em par, inspirar a fresca brisa matinal e, encontrados com nós mesmos que estamos, pensar "mais um dia, mais uma vitória", colocar o sorriso nos lábios e seguir em frente. De braços abertos para as coisas boas da vida que, COM TODA A CERTEZA, nos esperam, procurando apenas uma fresta de porta ou janela entreaberta para se fazerem notar.

Uma grande beijoka,
Iva*

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Paixão das Almas - um livro diferente


"Traço os meus contornos numa fotografia. Desde o topo da cabeça, caracóis loiros caem em cascata e espalham-se com as pontas em franja. Os membros irradiam do meu corpo. As pontas dos dedos da minha mão direita tocam o horizonte. A minha mão esquerda agarra ar puro. Sigo pela periferia onde os contornos se formam, da cabeça para os pés, de um lado para o outro.

O meu corpo não é aquele em que nasci. Em todos os momentos em que respirou, cada célula percorreu todas as fases do ciclo: crescimento, reparação, desintegração. Mas eu ainda permaneço.

Nada de mim me pertence, apenas a memória.
(...)
Seguro na fotografia com uma força tal e durante tanto tempo, que cada espaço vazio em mim é preenchido por uma dor total."
Pp. 11-12

""A voz dele vem até mim, murmurando o meu nome, num suspiro, Razi. Eu sei: é a imaginação, a recordação. A minha cabeça sobre o seu peito, o ruído do sangue e do ar e das palavras, conversas do coração onde os corações se juntam.

Com a forma da minha mão direita, desenho os contornos do vapor.- Quão complexa era a mistura de sensação e substância que me compunha. Segui os contornos uma e duas vezes, terminando junto à curva do meu rosto. Onde está ele em mim?

Os meus lábios seguem o mapa da sua pele. Fina como o desejo, a minha carne recorda o território; desfiladeiros e montes, picos e vales, nenhuma parte dele ignorada ou deixada por explorar. O alívio dele em simultâneo com o meu, cedendo onde queria, mantendo-se firme onde não podia, a resistência sob a superfície, o sangue como magma, a respiração em chamas. Quais as latitudes invisíveis que me ligam a ele, que alinham as nossas essências, que entretecem os nossos ritmos primevos, celestiais. Abro a minha boca para pronunciar o seu nome, Andrew, e o mapa enrola-se sobre si próprio. Ele está aqui, onde sempre esteve." p. 374

Em "A Paixão das Almas" por Ronlyn Domingue, Editora Difel

Um outro conselho para se libertarem do amor que vos faz sofrer...


Se querem de facto seguir em frente ou deixar de sofrer assim, cortem todos os contactos com essa pessoa: número de telefone, email, MSN, facebook, hi5, blog... etc, etc.

Garanto-vos que, se ela vos quiser contactar, vai arranjar, com toda a certeza forma de o fazer. 

No entanto, se cortarem, isso evita que andem a sofrer ou a tirar uma quantidade disparatada de elações cada vez que a pessoa comentar algo ou colocar uma frase num sítio onde vocês possam ver.

Não se vitimizem ou façam por sofrer mais! Experimentem apagar e logo verão que um grande peso vos sai de cima. A partir daí é começarem a valorizar-se mais e tentar sempre seguir em frente!

Iva*

It makes me sick!



- Ai, és tão lindo! És tão doce! Amo-te tantooooo!!!! Quero viver contigo!
-Estás a falar a sério? Prometes que não me magoas?
-Eu seria incapaz de te magoar! Nunca senti isto por ninguém! Dás mais brilho à minha vida!!! Quero estar contigo 24 horas, o mais depressa possível!!!
-Pois, isso é um pouco difícil, não ganho muito...
- Ai, não faz mal, o nosso amor é capaz de tudo! Ultrapassa tudo!
- És mesmo especial! Sempre pensei que só te interessasses por dinheiro!
- Oh, não me ofendas! Isso é apenas uma máscara, nada mais. Além do mais, não me interessa! - sorriso muito brilhante - mas sempre tens algum...
- Ainda bem, meu amor! Eu neste momento não tenho nada, mas sei que se trabalhar muito conseguirei dar-te alguma coisa...
- Mas ... então a tua situação não era boa?
- Não. Na verdade, estou com algumas dívidas, mas sei que conseguirei ultrapassar isso tudo e, contigo a meu lado, serei capaz de tudo!
- Pois... bem... se calhar tens razão... é tudo um pouco precipitado... devíamos dar um tempo e ver melhor..
- Mas duvidas que eu te ame?
- Não é isso, mas... a vida está difícil e se calhar não é a melhor altura...
- Mas...
- Bem, agora tenho de ir... depois falamos... eu logo te ligo...

E pronto! Estas situações merdosas põem-me um nojo do caraças! Aquela cabra insensível andou tempos e tempos a enrolá-lo, achava que ele tinha dinheiro, mal viu que não era assim... "Olha, amigo vai à merdinha que eu quero outro tipo de vida." Se o ama? "Oh, fofo, não tens dinheiro? Então, afinal não!"

E depois resmunguem comigo por ter mau feitio! DASS! Há dias assim em que me passo da marmeca e depois largo dois ou três palavrões daqueles polissilábicos, escandalizando todo o mundo! E se é normal isto em mim? Não! Normal não é, mas situações merdosas destas também não deveriam ser.

Tenho dito caraças! Vá para a Curta que a Pariu, filha dum...! E meta o dinheiro no olhinho do....! O interesse era só dinheiro e, à conta disso, partiu-lhe o coraçãozito todo e ele agora que se desenmerde! Dass, que cabras, caraças!


Que nojo que estas situações me metem!!!


Iva*

Seremos todos capazes de amar?


Serão todos os seres humanos dotados da capacidade de amar? Ou... será que essa capacidade pertencerá apenas a alguns?

Amarmos do mesmo jeito, já sabemos que não é assim...mas, além de muitos só amarem o amor que outros têm por eles, será que a grande maioria  ama apenas que tudo e todos os amem, ou, em sentido contrário, não se importam com dedos apontados, virando as costas ao ridículo do povo que aponta sem saber, e dedicam-se apenas a amar "aquela" pessoa?!

De novo as questões:
1 - Amamos os outros ou amamos o amor dos outros por nós? 
2 - Amar ou ser amado? 
3 - Magoar ou ser magoado? 
4 - Caçar ou ser caçado?
5 - Seremos todos capazes de amar???

Iva*, acordada pela madrugada...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Uma (outra) história de amor...


Durante muitos anos namoraram. Família rígida, a dela, mas isso não impediu o seu amor.
Acabaram por casar, fizeram-se planos e conseguiram cumpri-los. Sempre os dois vivendo ao toque da batida de um só coração, pois era assim mesmo que eram: dois em um, um em dois - duas almas envoltas num só grande amor. 

Riam, brincavam, trabalhavam, decidiam, agiam. Sendo cada um, sempre, o melhor amigo e companheiro do outro. Não havia felicidade que igualasse. 

Também tinham os seus desentendimentos, claro, como todos os casais, mas isso fazia parte da aprendizagem e não diminuía o seu amor. Pelo contrário, aumentava-o.

Um dia ela não se sente bem. Vai ao médico. Sem avisar, diagnosticam-lhe uma doença incurável. É rapidamente internada e os meses passam num ápice. Ele não quer acreditar. Não consegue mentir a ninguém e o tempo congelou-lhe o coração, incrédulo, por sentir o outro bater agora de forma diferente do seu, mais fraquinho. Cada vez mais fraquinho.

Ela desapareceu do seu mundo e o seu mundo ruiu. Sentiu-se não alguém perdido, mas a metade de outro que já não existe no nosso mundo, o visível. Não compreende, não aceita, sente-se partido ao meio e falta-lhe a outra metade, a que necessita para viver.

Entretanto, os anos passam. Muitos. Sem pedir perdão. Ele isolou-se do mundo, mas, pouco a pouco reintegra-se. É difícil. É complicado, mas começa a aprender a sorrir de novo, a olhar para as crianças de forma diferente, a olhar para os outros casais de forma diferente. 

Sorri de novo, ainda que apenas metade.
Olho-o e sorrio ao ver a aliança. Não é estar preso ao passado. É continuar a amar mesmo depois desta vida. É ter encontrado a sua alma gémea e não ter tido tempo suficiente nesta vida para poder amar de novo, com corpo e com alma.

Tenham passado dois dias, tenham passado duas décadas, sei que usará aliança para toda a vida, mostrando a todos o amor que os une. 

Sim, falo no presente! É que, aqui entre nós... (schiuuu), quando se encontra a nossa alma gémea, ela nunca nos foge, permanece junto de nós até arranjarmos a coragem para sermos felizes de novo, até se poderem unir de novo para voltarem a ser felizes... Não há abandono. Permanece-se! :)

E, há coisas assim... nas quais só acreditamos, vendo! ;)

Bjoka,

Iva*

Sonhando alto...



 «Closing Time»

Após conversas sobre pedras e diamantes, eis que os fantasmas do meu passado parecem regressar para assombrar... ahah. Pois, 10 anos volvidos, quem iria estar à espera? Não eu!

....

Passo a minha vida em revista após um fim-de-semana excelente em passeio com a família, momento a partir do qual me apercebo completamente que não vale a pena estarmos ao lado de alguém que não ama as mesmas coisas que nós, pois nunca verá as coisas da nossa forma. Isto é, não entenderá a nossa forma de observar o mundo.

As pessoas não precisam ser iguais para se amarem, mas sem amor verdadeiro, jamais compreenderão os prismas de observação dos outros. Como poderão apreciar as boas coisas da vida, como um passeio em família, a beleza de um jardim florido, o cheiro da suave brisa do mar embatendo nos nossos rostos, num suave dia ameno de Inverno...?

Resposta simples: NÃO PODEM!



No entanto, muitas vezes damos por nós a soltarmos os sentimentos, sob a forma de palavras, à semelhança, talvez, de uma Florbela Espanca que soube de facto expressar o que sentia, ainda que não fossem sentimentos positivos. Mas eram dela. E isso vale por tudo. 

Quanto ao resto, podemos sonhar pelos outros e dar-lhes o que eles gostariam de ouvir ou, por outro lado, ignorarmos tudo e todos e soltarmos o que nos vai na alma e sentirmo-nos bem connosco, sendo sempre fiéis aos nossos ideais, ajudando quem precisa. Lá diz o velho ditado "mais vale cair em graça, que ser engraçado". E ser engraçado é dar aos outros o que querem ouvir, não o que vai cá dentro. 

Portanto, é neste ponto que nos separamos - escolhendo a cara verdadeira ou a máscara perfeita, percorrendo esse intenso caminho da vida, carregando connosco as bagagens que as nossas atitudes ditarem. Aqui, há quem escolha bens materiais, status, aceitação social... outros há que escolhem outras coisas, quiçá, mais pequeninas, aparentemente frágeis e translúcidas que poderão ser, se bem lapidadas, uma luz a seguir quando o resto for trevas. Quando tudo o mais for silêncio.

Iva*

(Da minha parte, um dia direi a alguém «You picked me!» COM TODA A CERTEZA QUE HÁ NO MEU CORAÇÃO! EU SEI QUE SIM!)

«You picked me» A fine frenzy

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Medo de amar...


Sempre me disseram para não ter medo de nada.
Sempre me ensinaram que devia respeitar todas as criaturas da natureza e a própria natureza e, respeitando-as, não deveria ter medo de nada.

Na verdade, sempre me ensinaram muito sobre muitas coisas, mas ninguém me ensinou nada sobre sentimentos.

Nesse sentido, acho que sempre tive medo que me tocassem. Não exactamente o corpo, mas que o toque fosse como um corte profundo que me atingisse a alma de forma inabalável! Sempre tive medo e creio que sempre fugi. Poucos houve que me tivessem conseguido tocar de forma mais intensa, mas houve sim. Na verdade, recordo-me das pessoas de quem gostei e de quem amei, sempre com muito carinho, apesar das mágoas.

Se amei só uma vez? Bem, na verdade creio que me permiti amar duas (a terceira tem a ver com o Lacoste e é mesmo muito discutível (e na verdade não quero falar dela)... demasiado recente!).

Tive o meu grande amor platónico - 9 anos! SIM! NOVE ANOS!!! O amor adolescente, que me fez crescer e amadurecer, ainda que nunca tivesse havido sequer um toque de mãos, um beijo, um abraço... no entanto, ficou uma grande amizade, muito bonita de facto e acho que essa cumplicidade nem mesmo o tempo conseguirá apagar.



E tive outra pessoa de quem fugi, que até achava chato de início e que intrigas e inveja separaram de mim. E com ele vivi um amor a sério. Uma pessoa que aprendeu a dar-me a mão quando percebia que eu estava tensa, que me abraçava, quando estava triste, que sabia ser honesto, sincero e me dava toda a segurança que eu precisava para avançar...



Infelizmente, a distância é um problema. E isso fez com que ele acabasse por dar ouvidos a uma suposta amiga que se tornou comum (sendo inicialmente minha)... e levasse a terminar tudo, aparentemente, porque a culpa era minha. Fê-lo na véspera de o ir ver, quando eu tinha comprado um grande bolo de chocolate ( preferido dele!), escrito um postal mega-gigante, e dedicado algumas horas no computador a preparar-lhe algo especial. E terminou por mensagem...



Creio que desde então, tenho passado pela vida, translúcida, tentando não dar nas vistas, apesar de ser estranhamente muito notada (deve ser por não querer ser notada que todos reparam em mim).

Passaram alguns anos, muitos anos, dirá muita gente e com razão, mas, na verdade, apesar de ter tido dois "pequenos episódios", bem, três para contar mesmo tudo, se bem que esse foi mais platónico que sei lá... nunca deixei alguém se chegar tão perto como ele. Não só por uma questão de distância em kms... bem, talvez por isso, mas também porque duvido que alguém me consiga dar a confiança e segurança de que preciso para voltar a dar o meu coração.



Sinto-me bem mais confortável no meu cantinho, sem ter de me incomodar em ter medo, em entrar em pânico por estar apaixonada e não saber o que se segue, não saber controlar essa paixão e sentir que estou dependente de outra pessoa. Claro que nada iguala a magia do amor, mas, também posso dar o melhor de mim de outra forma, ajudando outros!

Certo, não tem nada a ver, mas ninguém me pode censurar por ter medo que me toquem a alma e me roubem de novo o coração, certo?!



E aqui está! Finalmente admito! Tenho medo de amar! Aliás, creio que se trata quase de uma fobia!
Pensar naquela sensação primeiro de borboletas e depois de murro no estômago, daqueles suores frios, uma sensação quente e fresca, as pernas que tremem, a boca que só se abre para dizer coisas estúpidas... o tropeçar em tudo o que está e não está no caminho só por estar na presença dessa pessoa... entre muitas outras coisas!!! Como, por exemplo, olhar horas e horas para o telemóvel a ver se toca, esperar que uns meros caracteres cuidadosamente organizados possam dar azo a um grande sorriso e a uma sensação de ego superior da minha parte... Hummm, é muito bom, mas põe-me "um medo do caraças!"

E está dito! Agora podem apagar tudo o que leram. ahahahah. A intenção era só admitir, não recordar-me constantemente que admiti! :P

Iva*

domingo, 30 de maio de 2010

Uma grande questão... sobre o Amor!

Amar ou ser amado?



Se pudessem escolher apenas uma das partes, qual seria e porquê?

Duas histórias tristes




A primeira é ainda recente...

Um homem rebelde, que muito se divertia e parecia não se querer prender. Apaixonou-se e casou. Desse casamento, nasceu uma menina linda, qual uma princesa - loirinha, de olhos claros. No entanto, talvez o homem se sentisse preso. Ou talvez não.
A menina não tinha ainda 6 anos e a mãe, após uma festa, sentou-se e fechou os olhos. Não tinha ainda 33 anos. Fechou os olhos e morreu. O homem voltou à sua vida anterior. A menina andou um pouco perdida. O choque foi geral pela morte da sua mãe. 

Hoje diz-se que talvez a mãe tenha morrido devido à pressão sentida pela parte do marido, que não se queria preso. 

Não se sabe ao certo a verdade. Todavia, o amor não escolhe tempo ou idade. Contudo, não é para todos e nem todos o sabem aproveitar... enquanto há vida!

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A segunda história triste, tal como muitas outras histórias tristes, é centrada em cenas que vemos todos os dias, quais filme, e que apenas representam uma pequena parte da estúpida capacidade do Homem em querer ser superior... Homem, ou mulher!

Casal na fila para pagar (sim, porque eu hoje decidi ir ao Lidl, aproveitando o pedido para o Banco Alimentar para doar qualquer coisa - menos de 2 euros um pacote de arroz e 4 pacotes de bolachas - NÃO CUSTA NADA!)...
Bem, voltando ao assunto: casal na fila para pagar...mulher a "berrar" para o marido:

- Eu bem te disse se não querias mais água!

(Marido carregadíssimo com 2 embalagens num total de 24 garrafas de meio litro de água faz uma cara triste, chateada e nada responde, encorajando-a)

- Eu bem te tinha dito. Pois!!!

E eu na fila a olhar e a pensar "ao que eu me escapei! Ao que eu me ando a escapar!!!".

Subitamente lembrei-me de outra cena semelhante, no parque de estacionamento do Modelo, com um marido bruto aos berros com a rapariga que empurrava um carrinho de bebé e a criança, de poucos meses, desatou a chorar desalmadamente pelos berros do pai.

Em ambas as situações, ambos os casais teriam entre 25 e 32 anos!!!

Dá que pensar, não dá?

Daí que eu diga, o amor não é para todos, é apenas para quem quer amar de corpo e alma. É apenas para quem luta para dar à pessoa que tem ao lado, tanto ou mais do que dá a si, para, obtendo o mesmo, serem ambos MUITO FELIZES.

E não, não são tretas românticas, são apenas realidades, que poucos conseguem ver por estarem demasiado ocupados a olharem para o seu umbigo, a apenas deixarem-se amar ou a armarem-se em vítimas porque antes foram traídos, maltratados...

Reflictam, de coração, sobre o que é o amor para vocês. E depois pensem se estarão a agir bem. Não se esqueçam que a explicação mais verdadeira para não sermos felizes se encontra muitas vezes dentro de nós.


Iva*

sábado, 29 de maio de 2010

Houve um tempo em que sonhei...


... e esse tempo começou há alguns anos atrás. Nessa altura pensei em dias assim, hoje penso nas palavras que não te disse, nas que nunca serão ditas. Penso nos pontos finais que não pus, por nunca ter existido sequer uma história por contar...

Desta forma, e após me ter despedido há um ano atrás (ou quase!pouco falta!), deixo uma canção. Mais umas das que pensei, mas não atirei para aqui para o baú, talvez por ser mais recente, talvez da mesma forma em que só agora, após a despedida, me sinto mais liberta para falar da minha forma as coisas que calei durante tanto, tanto tempo.

Mas que não se julgue que a despedida não foi feita. Mas este é apenas mais um retalho, na minha imensa manta de retalhos, um daqueles que prova que o amor tem muitas formas, é infinito, incondicional, perdoa, não se esquece, mas guarda-se. Não se perde, mas muda. O meu por ti não se perdeu, mas... alterou-se!

«Há dias assim», Filipa Azevedo





 

Curiosa a forma como a rapariga está vestida de princesa...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

The true soap opera: a novela continua!!! (ou "a novela contínua"! Parece que não tem fim!)


Independentemente de alguns episódios "out of the book", a grande questão aqui sempre foi entre o Dr. G. e o Dr. L. (falando pelas alcunhas que lhes dei, óbvio). 

E se, por um lado, Doctor G., se apressou a ver o que ganhava, não olhando a quem pisava para atingir o seu status social e por todos ser invejado, por seu lado, Doctor L. afastou-se cada vez mais.

Dois anos bolbidos... Doctor G. pensa que o tempo cura tudo e torna as pessoas uni-neuroniais, portanto, tratou de se tentar aproximar, julgando andar o passado esquecido. Entonces, liga todas as semanas, muito preocupado com o trabalho.

Como não podia deixar de ser... a semana começou com Doctor G. a ligar e termina com... a confirmação de que o Doctor Tie (G.) está mesmo de volta "à base", que é como quem diz "oh, que maravilha, voltaremos a trabalhar juntos! Vou ali comer sopa de feijão verde, lanchar umas ostras e já cá volto!".

Doctor L. desapareceu totalmente do mapa, talvez para a Conchichina. E se dizem que não há para sempre, quer parecer-me que agora foi. Lucky me. Neste caso, foram-se os dedos e ficaram os anéis, mas eu sem anéis ainda me governo, agora sem dedos... Volta, Doctor L. 'tás "aperdoado"!

(É giríssimo escrever num atafulhado enigma metaforo-alegórico, não é?)

See ya!

Iva*

Leave out all the rest!!!




Leave out all the rest




(Leave me out!)

I guess I was dreaming,
When I saw you here.
Then I just let myself go
Until you disappeared.

(You only said I’m sorry)
Then I cut the connection… down!
There was nothing else to say.
I was only dreaming, ‘cause you got away…

Then something strange happened,
And there she came, asking me questions
(I should not complain…?!)

But there was this story, I wasn’t quite aware.
Why? Are you sorry? Were you even there?

It Keeps pushing me, crazy,
Asking around
Wanting to know how
It came to this past ground!

I just want to be quiet,
All by myself,
Please keep it away now
There is nothing else.

Keep saying, it, I’m out,
It Keeps pushing me down,
Just want to be here now,
Alone and I know how!

It is being crazy
‘Cause I’m miles away
In a different kind of hazy
I’ve got nothing else to say!!!

I said bye already!
To never come back!
Close my door to you now!
And I won’t regret!

So don’t it be stupid!
Don’t mess me around!
I didn’t ask Cupid
To break you two down!

So please, it, go away now!
I don’t want to be bored,
And I sure won’t allow
It, not to let me ignored!

Just want to be silent
(And forgotten!)
From this moment on
I said goodbye without being violent,
So let me go on!!!

Why did you do these things?
Why did she come after me?
Why can’t I be quiet here?
Like if I’d just disappeared?

Did I ask you to come back?
Did I ask for your love?
Did I ask you to regret?
Did I try to be above?

Did I ask you to leave her?
Did I try to interfere?
So why doesn’t she leave me,
And get out of here?

Someday I will wake up
Totally down and stressed
Will go to the police, then,
To make my protest!

Stop, it, those anonym calls
Quite late at night
Stop shaking my walls
Don’t ask for a fight…
In justice, you know how?
If it keeps messing me around,
Keep it silent now,
Then, or it’ll get the rebound!

So go away and leave out all the rest,
Leave me out of all the rest!!!



Iva Filipa, 28th May 2010